16 de mar. de 2011

SESC/MG - CURSO ARTE-EDUCAÇÃO

Retomamos as atividades do Projeto Curso de Arte-Educação e a primeira turma está com as inscrições gratuitas abertas.

· Serão três aulas para conclusão de um Livro de Artista que cada participante irá produzir;

· A primeira turma terá suas aulas nos dias 22/03, 29/03 e 05/04 (sempre as terças-feiras) de 19 as 22hs;

· Terá carga horária de 09hs/aula e que ao final será entregue certificado de participação para quem tiver 100% freqüência

  • CURSO ARTE-EDUCAÇÃO – Com o tema: Oficina da Criatividade, o curso permite aos participantes, de forma gratuita, a possibilidade de aprender e aplicar os conhecimentos sobre a importância das Artes Plasticas. E tambem contribuir para o entendimento da prática artística como construtora do conhecimento na educação e lazer de crianças e adolescentes, com o facilitador: José Paulo das Neves – Professor da Guignard - UEMG, Especialista em História da Arte pela PUC-MG e Mestre em Artes pela Escola de Belas Artes - UFMG
DATAS: 22 e 29/03 e 05/04/2011
HORÁRIO: 19 às 22hs
LOCAL: Sala 503 do LACES/JK
INSCRIÇÕES GRATUITAS: através do email lacesjk@sescmg.com.br ou pelo telefone: 3272-0150

Emissão de certificado com 100% de freqüência.
Um gesto de solidariedade: Doação de 1 kg de alimento não-perecível para o programa MESA BRASIL DO SESC
MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO CURSO ARTE-EDUCAÇÃO

OFICINA DE CRIATIVIDADE – LIVRO DE ARTISTA

OBJETIVOS:

- APRESENTAR PRÁTICA ARTISTICA AMPLAMENTE DESENVOLVIDA PELOS ARTISTAS PLÁSTICOS CONTEMPORÂNEOS.

- DESENVOLVER ATIVIDADE COM A FINALIDADE DE ESTIMULAR A CRIATIVIDADE.

- CONTRIBUIR PARA O ENTENDIMENTO DA PRÁTICA ARTÍSTICA COMO CONSTRURORA DE CONHECIMENTO.

- ACRESCENTAR AO REPERTÓRIO DOS PROFESSORES RECURSO PARA SUAS ATIVIDADES NO ENSINO DA ARTE.

CONTEÚDO:

ENCONTROS PRÁTICO-TEÓRICOS. APRESENTAÇÃO DOS PRINCÍPIOS TEÓRICOS DA CRIATIVIDADE HUMANA E DO CONCEITO DE LIVRO DE ARTISTA. APRESENTAÇÃO DE EXEMPLARES DE LIVROS DE ARTISTAS. SENSIBILIZAÇÃO PARA A CONSTRUÇÃO DE LIVROS INDIVIDUAIS E UM TRABALHO COLETIVO. INDICAÇÃO DAS POSSIBILIDADES DE APROPRIAÇÃO DO CONCEITO E SUA UTILIZAÇÃO EM OUTRAS ATIVIDADES COMO INSTRUMENTO FACILITADOR DO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE CONHECIMENTO.

METODOLOGIA:

USO DE IMAGENS E OBJETOS QUE ILUSTREM AS QUESTÕES CONEITUAIS QUE ENVOLVEM A CRIATIVIDADE E A PROPOSTA DA OFICINA. ESTÍMULOS AO DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS PRÁTICOS INDIVIDUAIS E COLETIVO ATRAVÉS DE PRÁTICAS PRÓPRIAS DE ATELIÊ. REFLEXÃO SOBRE O FAZER. CRÍTICA AOS TRABALHOS. EXPOSIÇÃO FINAL DOS TRABALHOS APONTADOS COMO MELHOR RESOLVIDOS.
Att.

Bárbara Graciano

Tec. Educação - Projetos/Eventos Culturais e Educacionais - SESC/MG - UNIDADE LACES/JK -Rua Caetes, n.º 603 - Centro BH/MG -Fones: (31) 3272-0150 ou 3279-1503

13 de mar. de 2011

Tecnologia em excesso acaba com nossa capacidade de dormir bem

Pesquisa aponta que uso de aparelhos eletrônicos uma hora antes de ir para a cama contribui para baixa qualidade do sono

por Redação Galileu

Uma pesquisa da Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos detectou que o uso excessivo de aparelhos eletrônicos antes de dormir está reduzindo a qualidade e o tempo de sono dos americanos.

De acordo com a pesquisa, 95% dos norte-americanos usam algum tipo de aparelho eletrônico uma hora antes de ir para a cama, o que pode diminuir a qualidade do sono ao longo da noite. A pesquisa descobriu também que 43% dos americanos entre 13 e 64 anos dizem que raramente ou nunca conseguem ter uma boa noite de sono. Mais da metade (60%) dessas pessoas dizem que enfrentam um problema de sono todas as noites ou quase todas as noites (acordar no meio da noite, acordar cedo demais ou acordar com sentimento de cansaço, por exemplo).

 Shutterstock

"A exposição à luz artificial entre o anoitecer e a hora em que vamos para a cama suprime a liberação do hormônio melatonina, que melhora o sono, aumenta o estado de alerta e muda o ritmo do nosso relógio circadiano, tornando mais difícil o adormecer", afirma o médico Charles Czeisler, PhD da Harvard Medical School.

De acordo com a pesquisa, aparelhos com telas que emitem luz - telefones celulares, televisões, tablets e computadores - invadiram o quarto e contribuem para o alto número de pessoas que relatam falta de sono ou sono conturbado.

Antigamente, o grande vilão do sono no quarto era a televisão. Agora, além da televisão, existem muitos outros aparelhos eletrônicos que diminuem a liberação de hormônios do sono e aumentam o estado de alerta das pessoas.

"Minha pesquisa compara o modo como as tecnologias que são 'recebidas passivamente', como TVs e música, são diferentes daquelas interativas, como telefone celular, videogame e internet", explica Michael Gradisar, da Universidade Flinders, na Austrália. Segundo Gradisar, os dispositivos interativos deixam as pessoas mais alertas e interrompem o processo de início do sono.

Veja algumas dicas da Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos para ter uma noite de sono melhor:

- Tenha uma rotina diária. Vá para a cama e acorde sempre no mesmo horário.
- Diminua a iluminação da casa quando estiver chegando perto da hora de dormir.
- Faça exercícios regularmente durante a manhã e evite atividades que exigem muito esforço durante a noite.
- Estabeleça uma rotina relaxante durante a noite. Tenha tempo para desacelear o corpo antes de ir para a cama.
- Evite bebidas com cafeína, chocolate e cigarros durante a noite.
- Evite o uso de aparelhos eletrônicos durante a noite.
- Evite o uso de aparelhos eletrônicos (em qualquer horário) no quarto em que você dorme.


Fonte:http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI216936-17770,00.html

Da importância da mulher esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque

POR EM 11/03/2011 ÀS 04:21 PM

publicado em

Mulher no volante, perigo constante. O provérbio é antiquado e irrita, com toda razão, o mulheril. Há poucos dias, presenciei um abalroamento macarrônico no trânsito infernal da cidade. Alertada pela luz amarela do semáforo, uma jovem motorista meteu o pé no freio (acertadamente, embora dirigisse calçando um sapato de salto 15, não recomendável) e seu carro foi atingido na traseira por outro, cujo condutor teve o impulso contrário (erroneamente), ou seja, acelerou a máquina mortífera para escapar do sinal vermelho.

Ora, vejamos: todo mundo sabe que a luz amarela significa “atenção, reduza a velocidade, pois o sinal vermelho vem aí”. Quase todo mundo. A cada dia, cresce o número de cretinos ao volante. Só pra exemplificar, a legislação do Conselho Nacional de Trânsito manda que os novatos sejam submetidos a vinte aulas de volante (treinamento prático), além do curso teórico, antes de retirarem as CNH.

Na prática, muitas autoescolas ignoram a lei ao fazerem “pacotes promocionais” (que é para baratear pro aluno e driblar a concorrência), ministrando poucas aulas para “pessoas com alguma experiência prévia ao volante” (será que os candidatos conseguiram esta experiência prévia ao volante brincando em vídeo games e autoramas ou dirigindo sem habilitação?!). Juntando a inexperiência dos motoristas emancipados (ambos os sexos) com a epidemia de motos e automóveis que empapuçam as ruas (fruto de incentivos governamentais duvidosos, aliada à falta de investimento no transporte coletivo), surge o monstro chamado trânsito caótico, que tem infernizado o dia-a-dia dos cidadãos urbanofílicos.

Voltando ao acidente heterossexual a que me referia no início, o sujeito ficou mesmo muito irritado com a mocinha que não parava de chorar, mesmo que ninguém houvesse se ferido. “Apenas danos materiais” e algum desarranjo emocional extremamente fugaz. Cego pela raiva, ciente do inusitado prejuízo financeiro (afinal, ele teria que pagar o conserto dos dois veículos), o rapaz perguntou à algoz (é assim mesmo que as pessoas se sentem no trânsito: algozes umas das outras) por que é que ela “não largava mão de dirigir um carro pra esquentar a barriga num fogão e esfriá-la no tanque”.

A provocação (apelação), como já era de se esperar, piorou as coisas, e a imatura motorista desidratou-se ainda mais em lágrimas. “Por que não usa a habilitação pra dirigir um fogão de quatro bocas, minha filha?”, ele insistia nos “insultos mobiliários”, totalmente desarrazoado, deixando indignada a multidão feminina que assistia ao espetáculo burlesco. Os homens, criaturas imprestáveis como as baratas, quase se urinavam de tanto rir. Eu mesmo, confesso, após me certificar que ninguém se ferira, ri pra dentro, ruborizando as orelhas, prendendo o fôlego, disfarçando a gargalhada após tamanhos impropérios.

Hoje, dia em que escrevo este texto, é quarta-feira de cinzas. Se bem me lembro, nos últimos anos, não tem um só carnaval que passe em branco, sem que eu saiba de alguma pessoa próxima que tenha morrido ou esteja hospitalizada, por causa de acidentes de trânsito, principalmente em rodovias. Já se sabe que neste ano, a incidência de feridos e vítimas fatais aumentou em relação ao ano passado. As estatísticas sempre saem às quartas-feiras de cinza, depois da apuração das Escolas de Samba do Grupo A do Rio de Janeiro. A vida é assim, estranha: uns comemoram, outros gemem de dor, e muitos enterram mortos da guerra no trânsito.

Mais uma vez, o sofrimento besta é resultante da miscelânea de fatores, uma receita truanesca cujos ingredientes são bem conhecidos: motorista inadequado (bêbado, drogado, inexperiente ou burro), estrada inadequada (sem sinalização, sem acostamento, com asfalto fajuto superfaturado, com enxame de buracos), fiscalização inadequada (número insuficiente de policiais rodoviários, falta de radares, ausência de balanças para caminhões, propinas nojentas), frota inadequada (latas velhas que não merecem ser chamadas de automóveis, caminhões com peso da carga muito acima do permitido, ônibus clandestinos, pneus clandestinos, freios clandestinos, gambiarras clandestinas), governante inadequado (gestores incompetentes, descompromissados, corruptos e negligentes; não necessariamente nesta ordem).

Depois de queimarem sutiãs em praça pública, controlarem a própria fertilidade com pílulas anticoncepcionais, conquistarem o orgasmo (artigo de exclusividade machista até bem pouco tempo), e assumirem com apetite de pedreiro sua fatia no mercado de trabalho, eu aceitaria, sim, uma carona num carro pilotado por uma mulher, com uma única ressalva: depois daqueles dias de TPM.

Brincadeirinha, meninas...


8 de mar. de 2011

Professores norte-americanos em situação difícil também

Os ataques que Erin Parker ouviu sobre seu trabalho a deixaram atordoada. “Ah, seus professores patéticos”, diziam os comentários na internet e os cartazes dos manifestantes contrários. “Vocês são babás idolatradas que saem do trabalho às três da tarde. Vocês merecem salário mínimo.”


“Você sente um soco no estômago”, disse Parker, professora de ciências de segundo grau em Madison, Wisconsin, onde a ocupação que os funcionários públicos fizeram do Capitólio estadual atrasou mas não deteve o plano do governador de tentar tirar deles o direito de negociação.
Parker, professora de segundo colegial que ganha US$ 36 mil por ano, teme que com a lei proposta as salas de aula cresçam e o aumento de impostos sobre seus benefícios a derrubem da classe média.


“Eu amo ensinar, mas tenho uma dívida estudantil de US$ 26 mil”, disse ela. “Tenho 30 anos, e não consigo guardar dinheiro suficiente para dar entrada” numa casa. Ela também não tem carro. Parker está fazendo planos para se mudar para o Colorado, onde ela poderá continuar ensinando se voltar a morar com os pais.


Em todo o país, muitos professores veem as demandas para cortar seus salários, benefícios e poder de voz sobre a administração das escolas por meio da negociação coletiva como ataques não só contra seu meio de vida, mas também contra seu valor para a sociedade.
Até mesmo num país em que tem opiniões conflitantes sobre os professores – os norte-americanos se lembram com alegria daqueles que mudaram suas vidas, mas acham que é um trabalho fácil por causa das férias de verão – especialistas em educação dizem que os professores raramente foram alvo de tanto desprezo por parte de políticos e eleitores.


Legisladores republicanos em meia dúzia de Estados estão pressionando para acabar com as proteções de emprego permanente e por tempo de experiência que existem há mais de 50 anos. As críticas do governador Chris Christie contra os professores de Nova Jersey em encontros ao estilo de assembleias, acusando-os de serem gananciosos, acertaram uma veia populista e o transformaram num astro nacional.


Os prefeitos estão ameaçando demissões em massa, inclusive na cidade de Nova York e em Providence, R.I., onde todos os 1.926 professores foram informados na semana passada de que perderiam seus empregos – um gesto muito mais simbólico, uma vez que a maioria será recontratada.


Alguns especialistas questionam se o ensino, que já tem uma alta taxa de desistência – mais de 25% deixam a profissão nos três primeiros anos – irá atrair profissionais de qualidade no futuro.
“É difícil se sentir bem consigo mesmo quando o governador e outras pessoas dizem que você faz um trabalho ruim”, disse Steve Derion, 32, que ensina história norte-americana em Manahawkin, Nova Jersey. “Tenho certeza de que houve tempos piores para ser um professor em nossa história – sei que os professores tinham muito poucos direitos – mas parece que estamos voltando naquela direção.”


Os que fazem pressão contra as concessões dos professores insistem que as mudanças melhorarão as escolas.


“Isto não é de nenhuma forma um ataque contra os professores; é um esforço abrangente para reformar um sistema”, disse Tony Bennett, superintendente de instrução pública em Indiana, onde os manifestantes também cercaram o Capitólio em oposição aos projetos de lei apoiados por Bennett e o governador Mitch Daniels, republicano. O projeto de lei limitaria o poder de negociação coletiva dos professores em relação ao pagamento e benefícios e permitira que os diretores estabelecessem os tamanhos das salas e horários escolares, e demitissem professores com base no desempenho no trabalho, e não nos anos de serviço.


Bennett disse que o sindicato de professores do Estado distorceu a lei para gerar medo.
Há sinais de uma repercussão a favor dos professores. Uma pesquisa feita pelo New York Times na semana passada revelou que uma proporção de quase dois para um – 60% contra 33% - dos norte-americanos se opõem a restringir a negociação coletiva para os funcionários públicos. Uma maioria similar – incluindo mais da metade de republicanos – diz que os salários e benefícios da maioria dos funcionários públicos estavam “corretos” ou “muito baixos”.


Quanto ao humor dos professores, uma pesquisa anual patrocinada pela Fundação MetLife revelou em 2009, antes da explosão de críticas deste ano, que 59% dos professores estavam “muito satisfeitos”, 40% a mais do que em 1984. Em entrevistas realizadas esta semana, até professores que enfrentam demissões ou cortes de salário sentiram um chamado para estar na sala de aula.


“Eu coloco meu coração e minha alma no ensino”, disse Lindsay Vlachakis, 25, professora de matemática de segundo grau em Madison. “Quando as pessoas atacam os professores, elas estão me atacando.”


Embora reduzir os déficits orçamentários seja a causa imediata da pressão dos legisladores, outra justificativa para muitas das medidas propostas vem de um amplo movimento pela responsabilidade, que quer aumentar o desempenho dos estudantes e acredita que os sindicatos de professores obstruem o caminho para isso.


A responsabilidade, principalmente aquela medida pelas notas dos alunos, trouxe mudanças grandes à educação e ainda promete mais, mas muitos professores sentem que as mudanças são impostas sem nenhuma consulta aos educadores nas salas de aula. Quase 70% disseram que na pesquisa da MetLife que suas vozes não eram ouvidas nos debates de educação.
Chester E. Finn Jr., presidente do Instituto Thomas B. Fordham, um grupo conservador de política educacional, disse que o declínio de status dos professores está ligado ao sucesso dos sindicados em pagar os professores e garantir a segurança no trabalho baseada em seus anos de serviço, e não em sua capacidade.


“Eles estão colhendo um fruto amargo que não plantaram individualmente, mas que sua profissão plantou ao longo de 50 anos, passando de uma profissão respeitada para uma força de trabalho em massa em que cada um é tratado como se fosse substituível, como nas fábricas de aço de antigamente”, disse Finn.


Aqueles que se opõem à iniciativa de avaliar os professores de acordo com as notas dos alunos argumentam que isso retirará bons professores das escolas que mais precisam.


Anthony Cody, que deu aula de ciências no primeiro grau durante 18 anos e agora instrui novos professores no distrito escolar de Oakland, Califórnia, disse que muitos saem antes do marco de três anos por salários mais altos e melhores condições em outros lugares.


Oakland tem muitos alunos pobres e escolas no final da lista dos testes padronizados – escolas que o Departamento de Educação identifica como candidatas a grandes reformas, reduzindo metade de sua equipe.


“O que precisamos nessas escolas é de estabilidade”, disse Cody, 52, que escreve um blog sobre educação. “Precisamos convencer as pessoas que, se elas investirem sua carreira em trabalhar com esses alunos difíceis, então podemos recompensá-las e valorizá-las. Não vamos submetê-las à humilhação arbitrária nos jornais. Não vamos exigir que sejam avaliadas e pagas com base nas notas dos alunos, que costumam flutuar além do controle dos professores.”


Cody reconheceu que muitos de seus colegas mais jovens, que cresceram numa época em que as notas já eram usadas para medir o progresso e a responsabilidade – primeiro para as escolas, e agora cada vez mais para os professores – não são tão resistentes ao conceito.


“Não estou muito preocupado com isso”, disse Kevin Tougher, 31, que dá aulas na terceira série em Lake Grove, Nova York, onde um novo sistema de avaliação estadual classificará os professores baseado 40% nas notas de seus alunos ou em medições similares.


No mês passado Tougher foi notificado de que seria demitido este ano por não ter muito tempo de serviço, de acordo com os cortes propostos pelo Estado aos auxílios às escolas. Sindicalista, ele acredita que as demissões baseadas no tempo de serviço são justas.


“A parte do tempo de serviço eu entendo”, diz Tougher, que é solteiro. “Embora seja frustrante se eu for afastado no ano que vem, é assim que as coisas acontecem às vezes.”


Fonte: http://eduqueweb.net/educar/index.php?q=node/503 - Traduzido de The New York Times

6 de mar. de 2011

Antonio Carlos Gomes da Costa

04/03/2011

Antonio Carlos Gomes da Costa: Brasil perde um dos principais defensores dos direitos infantojuvenis


Foto: Gastão Guedes
CONFIRA BIOGRAFIA DE ANTONIO CARLOS GOMES DA COSTA
É com enorme pesar que a Fundação Telefônica e o CEATS comunicam o falecimento do Prof. Antonio Carlos Gomes da Costa, um dos principais colaboradores e defensores do Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo ele mesmo, sua maior realização, como cidadão e educador, foi participar do grupo que redigiu o ECA e que também atuou junto ao Congresso Nacional para sua aprovação e, logo depois, sanção presidencial.
Autor de diversos livros e textos, no Brasil e no exterior, sobre promoção, atendimento e defesa dos direitos de crianças e adolescentes, o professor foi uma das inspirações para o Portal Pró-Menino, do qual participou ativamente na concepção e construção. Continuou colaborando sempre com o Portal, por meio de artigos e consultorias, sendo um dos idealizadores da Cidade dos Direitos e do Concurso Causos do ECA.
Além de contribuir para o desenvolvimento do Portal Pró-Menino, foi essencial no desenho e construção de diversos outros programas e projetos da Fundação Telefônica, assim como na formação e desenvolvimento da equipe da Fundação.
No mês passado escreveu o que viria a ser seu último artigo para o Portal, falando sobre os desafios do ECA até 2020. E neste artigo ele nos deixa sua mensagem de luta ao escrever “meu primeiro artigo de 2011, pode ser resumido numa palavra de ordem de sólida objetividade: ATACAR! ATACAR! ATACAR! Se não fizermos isso, em vez de construir o futuro, passaremos a terceira década do ECA e, talvez o resto do século, nos defendendo de um fantasma que nada tem de camarada”. E finaliza seu artigo com seu contagiante otimismo destacando que temos pela frente uma década de “tantas esperanças para nós, brasileiros”.
Seu falecimento representa uma grande perda para o movimento de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Mas, sem dúvida, os ideais que ele defendeu continuarão sendo na próxima e nas décadas que estão por vir um referencial para todos. Promover o ECA e torná-lo uma realidade em todos os cantos do país é a maior homenagem que podemos fazer a este educador que dedicou sua vida a nossas crianças e adolescentes.
Equipes Fundação Telefônica e CEATS



O velório ocorre no Cemitério Parque da Colina, na Rua Santarém, no bairro Nova Cintra, em Belo Horizonte. O enterro será no mesmo local no sábado (05/03), às 9h.
Confira entrevista com o professor sobre o papel da educação no combate ao trabalho infantil

Fonte: http://www.promenino.org.br/Ferramentas/DireitosdasCriancaseAdolescentes/tabid/77/ConteudoId/a1a08aca-0936-4e7d-80c9-d3d64384ac5d/Default.aspx

Cronômetro será usado para avaliar qualidade de ensino

Foto do autor





por Gustavo Gitti em 22/06/2010 às 12:45 | PdH Shots


Era tudo o que a educação escolar brasileira precisava. Um bando de americanos com um cronômetro em mãos no fundo das salas de aula de 400 escolas públicas, em Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Ideia de quem? Do Banco Mundial.

Os americanos até filmam as aulas, como se medir o desperdício de tempo (entre chamada e tentativas de disciplinar os alunos) fosse contribuir para melhorar a qualidade de nossa educação. Ora, perda de tempo mesmo é mobilizar pessoas para essa avaliação, criar uma tensão desnecessária com os professores e não chegar a lugar algum.

Mas o absurdo não para por aí. A revista Veja dessa semana apoia totalmente o método, citando uma “especialista” (em que mesmo?), um pedagogo americano e a secretária de educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin:

“Pode-se dizer que o cruzamento das avaliações oficiais com um panorama tão detalhado da sala de aula revelará nossas fragilidades como nunca antes.”

A matéria afirma que estão sendo coletadas “informações valiosas” e trata a revolta dos professores como “manifestação de corporativismo”. Eis a conclusão de Veja (assinada por Roberta de Abreu Lima):

“Nesse sentido, os cronômetros são um necessário passo para o Brasil deixar a zona do mau ensino.”

Não é possível que alguém escreva isso. Sério. Ela deve ter se confundido e passou, como um erro de ortografia. Investir em formação de professores é besteira, né? Melhor chamar americanos com métodos (escolha entra “avançados” ou “ridículos”) baseados em um cronômetro.

Eu fiz Pedagogia na USP, onde seria um dos melhores locais para se pensar a educação no Brasil. E minha conclusão é simples: a saída para a educação não está nas escolas. Mas isso é tema para outro post.

Cronômetro, câmeras e competição: eis um ótimo ambiente escolar!

Fontes: Veja e Diário de Pernambuco.

RESPOSTA À REVISTA VEJA

Abaixo envio uma cópia da carta escrita por uma professora, que trabalha no Colégio Estadual Mesquita, à revista Veja. Esta carta é uma resposta a uma reportagem em que a jornalista defende a idéia de que as aulas sejam cronometradas a fim de medir o tempo que o professor fica em sala de aula e o tempo em que "efetivamente está dando aula". Peço, por favor, que a repassem. Vale a pena ler.



RESPOSTA À REVISTA VEJA

Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador.

Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira. Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras. Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.

Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”. Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.

Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso.

Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;

Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário. Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.

Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.

Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante É QUE HÁ DISCIPLINA. E é isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.

Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo

Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!

Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO. Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.

2 de mar. de 2011

Olá Ramon, tudo bem?

Eu temo muito que realmente o humano atinja tão logo tal condição tecnológica, já que o mesmo ainda não percebeu outras dimensões mais essenciais que se perde e se suplanta continuamente a consciência ética e moral de seu ideal de homem.

Não desprezo o avanço científico e tecnológico do homem, entretanto não os vejo em prol da universalização moral, pois a pobreza se alastra e a miséria se consagra dia e noite dentro do propósito neocapitalista que nos cegam não só a racionalidade, também o faz com o Espírito e a alma.

Abraços fraternos,

Wellington

28 de fev. de 2011

Tiririca é indicado para a Comissão de Educação e Cultura

25/02 às 16h29

Brasília - O deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), mais conhecido como o palhaço Tiririca, será indicado pelo partido para titular da Comissão de Educação e Cultura da Câmara.

27 de fev. de 2011

Glee Imagine - Educação Inclusiva

Violência em sala de aula traumatiza crianças - Visão da psiquiatra Sofia Bauer

Olá gestores e educadores,

O texto desta semana do Jornal Virtual apresenta a visão da psiquiatra Sofia Bauer sobre o bullying e suas consequências no comportamento dos alunos que sofrem esse tipo de violência. Sofia é autora do livro Para entender o transtorno do pânico, pela WAK Editora.

Boa leitura!


Violência em sala de aula traumatiza crianças

Nossas crianças estão sendo expostas a circunstâncias terríveis durante o período escolar, principalmente nas escolas públicas de regiões onde a criminalidade está cada vez maior.

Esses alunos são sobressaltados pelas ondas de tiroteio, pelas drogas e por não terem a proteção devida. Seus pais saem cedo para o trabalho, os professores mal dão conta dos afazeres da escola. Quem vai, então, protegê-las? E qual será o maior mal provocado nesses futuros adultos? Será que isso traumatiza a ponto de mudar o comportamento de uma criança?

A criança que vive sobressaltada acaba mudando de comportamento. Algumas, ainda por cima, vão sofrer bullying pelos coleguinhas. Vemos que vários comportamentos surgem nos últimos tempos. Mudança na sociedade? Sim! Mas o que fazer para proteger nossas crianças? Temos que tomar consciência de que temos violência nas ruas (como os tiroteios), as drogas são “empurradas” aos jovens e, dentro das escolas, existe o assédio agressivo de coleguinhas que praticam bullying (ridicularizar, fazer chacota dos outros colegas mais fracos). Os pais estão cada vez mais sem tempo para cuidar de seus filhos, as escolas cada vez mais expostas à frequente violência, que é praticada por jovens que se tornam bandidos dentro e fora das escolas. O que podemos esperar senão que os nossos pequenos se “escondam” da vida? Sim, é isso que acontece: as crianças ainda não estão preparadas para se defenderem dos perigos e, portanto, submetem-se a viver de forma disfarçada, sem ao menos saberem que estão fazendo exatamente isso!

Elas vão mudando o comportamento, tornando-se tímidas, com medo de ir às aulas, ou por que têm um coleguinha que as maltrata ou por que, no seu caminho até a escola, passam por tiroteios ou malandros que querem usá-las de alguma maneira. Começa uma série de mudanças comportamentais, como dores de barriga, gripes recorrentes, timidez, dificuldade de aprendizado, etc. Elas passam a não mais quererem frequentar a escola, preferem ficar escondidas em casa. O pânico pode se instalar e elas podem vir a sofrer de um mal necessário para se proteger. Esse é o perigo; estamos deixando que os pequenos se virem sozinhos!

Fica aqui um alerta geral às escolas e aos pais: cuidem bem de suas crianças, fiquem atentos às pequenas mudanças de comportamento, dores de cabeça, infecções recorrentes, timidez exagerada, ataques de ansiedade. Esses sinais sinalizam que algo não vai bem e podem ser percebidos por pais e educadores. Outra recomendação é o professor perguntar aos alunos o que se passa, do que eles estão com receio. Procurem mudar a forma de protegê-los, pois, se eles estão com estes sintomas, estão totalmente desprotegidos. Cabe aos educadores informar aos pais as mudanças percebidas. Cabe aos pais proteger seus filhos como uma onça protege a cria dos perigos da selva; eles ainda não estão formados e precisam de ajuda.

Essa criança que muda de comportamento ou tem ataques de pânico, fobias, dores, timidez, nervosismo, sudorese e preocupação constante precisa ser protegida, terapia e, às vezes, até mesmo de um psiquiatra.

Texto da psiquiatra Sofia Bauer enviado ao Jornal Virtual. A autora é formada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e hipnoterapeuta formada em Phoenix, AZ, pela Milton H. Erickson Foundation.
E-mail: sofiabauer@terra.com.br

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Como será o futuro da escola? Como gerar e implementar soluções acessíveis e de alta qualidade ao ensino? Essas e outras perguntas sobre o futuro educacional no Brasil e as tendências mundiais serão respondidas entre os dias 10 e 12 de maio, na Interdidática 2011 – Feira Internacional de Tecnologia Educacional e Formação. Entre as atrações do evento, destaca-se o Fórum Internacional de Tecnologia Educacional, que abordará dois temas centrais: Nova Aprendizagem e Inovação na Educação com as TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação.
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Boa leitura!
Mariana Branco

Etiquetas psiquiátricas de trastornos inventados




Fonte: http://romanticos-conspiradores.ning.com/video/etiquetas-psiquiatricas-de

Carta Aberta ao Ziraldo, por Ana Maria Gonçalves

sexta-feira, 18 de fevereiro 2011

Carta Aberta ao Ziraldo, por Ana Maria Gonçalves

Caro Ziraldo,

Olho a triste figura de Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, estampada nas camisetas do bloco carnavalesco carioca "Que merda é essa?" e vejo que foi obra sua. Fiquei curiosa para saber se você conhece a opinião de Lobato sobre os mestiços brasileiros e, de verdade, queria que não. Eu te respeitava, Ziraldo. Esperava que fosse o seu senso de humor falando mais alto do que a ignorância dos fatos, e por breves momentos até me senti vingada. Vingada contra o racismo do eugenista Monteiro Lobato que, em carta ao amigo Godofredo Rangel, desabafou: "(...)Dizem que a mestiçagem liquefaz essa cristalização racial que é o caráter e dá uns produtos instáveis. Isso no moral – e no físico, que feiúra! Num desfile, à tarde, pela horrível Rua Marechal Floriano, da gente que volta para os subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal. Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde. E vão apinhados como sardinhas e há um desastre por dia, metade não tem braço ou não tem perna, ou falta-lhes um dedo, ou mostram uma terrível cicatriz na cara. “Que foi?” “Desastre na Central.” Como consertar essa gente? Como sermos gente, no concerto dos povos? Que problema terríveis o pobre negro da África nos criou aqui, na sua inconsciente vingança!..." (em "A barca de Gleyre". São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1944. p.133).




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Ironia das ironias, Ziraldo, o nome do livro de onde foi tirado o trecho acima é inspirado em um quadro do pintor suíço Charles Gleyre (1808-1874), Ilusões Perdidas. Porque foi isso que aconteceu. Porque lendo uma matéria sobre o bloco e a sua participação, você assim o endossa : "Para acabar com a polêmica, coloquei o Monteiro Lobato sambando com uma mulata. Ele tem um conto sobre uma neguinha que é uma maravilha. Racismo tem ódio. Racismo sem ódio não é racismo. A ideia é acabar com essa brincadeira de achar que a gente é racista". A gente quem, Ziraldo? Para quem você se (auto) justifica? Quem te disse que racismo sem ódio, mesmo aquele com o "humor negro" de unir uma mulata a quem grande ódio teve por ela e pelo que ela representava, não é racismo? Monteiro Lobato, sempre que se referiu a negros e mulatos, foi com ódio, com desprezo, com a certeza absoluta da própria superioridade, fazendo uso do dom que lhe foi dado e pelo qual é admirado e defendido até hoje. Em uma das cartas que iam e vinham na barca de Gleyre (nem todas estão publicadas no livro, pois a seleção foi feita por Lobato, que as censurou, claro) com seu amigo Godofredo Rangel, Lobato confessou que sabia que a escrita "é um processo indireto de fazer eugenia, e os processos indiretos, no Brasil, 'work' muito mais eficientemente".

Lobato estava certo. Certíssimo. Até hoje, muitos dos que o leram não vêem nada de errado em seu processo de chamar negro de burro aqui, de fedorento ali, de macaco acolá, de urubu mais além. Porque os processos indiretos, ou seja, sem ódio, fazendo-se passar por gente boa e amiga das crianças e do Brasil, "work" muito bem. Lobato ficou frustradíssimo quando seu "processo" sem ódio, só na inteligência, não funcionou com os norte-americanos, quando ele tentou em vão encontrar editora que publicasse o que considerava ser sua obra prima em favor da eugenia e da eliminação, via esterilização, de todos os negros. Ele falava do livro "O presidente negro ou O choque das raças" que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, país daquele povo que odeia negros, como você diz, Ziraldo, foi publicado no Brasil. Primeiro em capítulos no jornal carioca A Manhã, do qual Lobato era colaborador, e logo em seguida em edição da Editora Companhia Nacional, pertencente a Lobato. Tal livro foi dedicado secretamente ao amigo e médico eugenista Renato Kehl, em meio à vasta e duradoura correspondência trocada pelos dois: “Renato, tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. (...) Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade precisa de uma coisa só: póda. É como a vinha".

Impossibilitado de colher os frutos dessa poda nos EUA, Lobato desabafou com Godofredo Rangel: "Meu romance não encontra editor. [...]. Acham-no ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tantos séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros." Tempos depois, voltou a se animar: "Um escândalo literário equivale no mínimo a 2.000.000 dólares para o autor (...) Esse ovo de escândalo foi recusado por cinco editores conservadores e amigos de obras bem comportadas, mas acaba de encher de entusiasmo um editor judeu que quer que eu o refaça e ponha mais matéria de exasperação. Penso como ele e estou com idéias de enxertar um capítulo no qual conte a guerra donde resultou a conquista pelos Estados Unidos do México e toda essa infecção spanish da América Central. O meu judeu acha que com isso até uma proibição policial obteremos - o que vale um milhão de dólares. Um livro proibido aqui sai na Inglaterra e entra boothegued como o whisky e outras implicâncias dos puritanos". Lobato percebeu, Ziraldo, que talvez devesse apenas exasperar-se mais, ser mais claro em suas ideias, explicar melhor seu ódio e seu racismo, não importando a quem atingiria e nem por quanto tempo perduraria, e nem o quão fundo se instalaria na sociedade brasileira. Importava o dinheiro, não a exasperação dos ofendidos. 2.000.000 de dólares, ele pensava, por um ovo de escândalo. Como também foi por dinheiro que o Jeca Tatu, reabilitado, estampou as propagandas do Biotônico Fontoura.

Você sabe que isso dá dinheiro, Ziraldo, mesmo que o investimento tenha sido a longo prazo, como ironiza Ivan Lessa: "Ziraldo, o guerrilheiro do traço, está de parabéns. Finalmente o governo brasileiro tomou vergonha na cara e acabou de pagar o que devia pelo passe de Jeremias, o Bom, imortal personagem criado por aquele que também é conhecido como “o Lamarca do nanquim”. Depois do imenso sucesso do calunguinha nas páginas de diversas publicações, assim como também na venda de diversos produtos farmacêuticos, principalmente doenças da tireóide, nos idos de 70, Ziraldo, cognominado ainda nos meios esclarecidos como “o subversivo da caneta Pilot”, houve por bem (como Brutus, Ziraldo é um homem de bem; são todos uns homens de bem – e de bens também) vender a imagem de Jeremias para a loteca, ou seja, para a Caixa Econômica Federal (federal como em República Federativa do Brasil) durante o governo Médici ou Geisel (os déspotas esclarecidos em muito se assemelham, sendo por isso mesmo intercambiáveis)".

No tempo em que linchavam negros, disse Lobato, como se o linchamento ainda não fosse desse nosso tempo. Lincham-se negros nas ruas, nas portas dos shoppings e bancos, nas escolas de todos os níveis de ensino, inclusive o superior. O que é até irônico, porque Lobato nunca poderia imaginar que chegariam lá. Lincham-se negros, sem violência física, é claro, sem ódio, nos livros, nos artigos de jornais e revistas, nos cartoons e nas redes sociais, há muitos e muitos carnavais. Racismo não nasce do ódio ou amor, Ziraldo, sendo talvez a causa e não a consequência da presença daquele ou da ausência desse. Racismo nasce da relação de poder. De poder ter influência ou gerência sobre as vidas de quem é considerado inferior. "Em que estado voltaremos, Rangel," se pergunta Lobato, ao se lembrar do quadro para justificar a escolha do nome do livro de cartas trocadas, "desta nossa aventura de arte pelos mares da vida em fora? Como o velho de Gleyre? Cansados, rotos? As ilusões daquele homem eram as velas da barca – e não ficou nenhuma. Nossos dois barquinhos estão hoje cheios de velas novas e arrogantes, atadas ao mastro da nossa petulância. São as nossas ilusões". Ah, Ziraldo, quanta ilusão (ou seria petulância? arrogância; talvez? sensação de poder?) achar que impor à mulata a presença de Lobato nessa festa tipicamente negra, vá acabar com a polêmica e todos poderemos soltar as ancas e cada um que sambe como sabe e pode. Sem censura. Ou com censura, como querem os quemerdenses. Mesmo que nesse do Caçadas de Pedrinho a palavra censura não corresponda à verdade, servindo como mero pretexto para manifestação de discordância política, sem se importar com a carnavalização de um tema tão dolorido e tão caro a milhares de brasileiros. E o que torna tudo ainda mais apelativo é que o bloco aponta censura onde não existe e se submete, calado, ao pedido da prefeitura para que não use o próprio nome no desfile. Não foi assim? Você não teve que escrever "M*" porque a palavra "merda" foi censurada? Como é que se explica isso, Ziraldo? Mente-se e cala-se quando convém? Coerência é uma questão de caráter.

ziraldo_direitos_humanos.jpgO que o MEC solicita não é censura. É respeito aos Direitos Humanos. Ao direito de uma criança negra em uma sala de aula do ensino básico e público, não se ver representada (sim, porque os processos indiretos, como Lobato nos ensinou, "work" muito mais eficientemente) em personagens chamados de macacos, fedidos, burros, feios e outras indiretas mais. Você conhece os direitos humanos, inclusive foi o artista escolhido para ilustrar a Cartilha de Direitos Humanos encomendada pela Presidência da República, pelas secretarias Especial de Direitos Humanos e de Promoção dos Direitos Humanos, pela ONU, a UNESCO, pelo MEC e por vários outros órgãos. Muitos dos quais você agora desrespeita ao querer, com a sua ilustração, acabar de vez com a polêmica causada por gente que estudou e trabalhou com seriedade as questões de educação e desigualdade racial no Brasil. A adoção do Caçadas de Pedrinho vai contra a lei de Igualdade Racial e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que você conhece e ilustrou tão bem. Na página 25 da sua Cartilha de Direitos Humanos, está escrito: "O único jeito de uma sociedade melhorar é caprichar nas suas crianças. Por isso, crianças e adolescentes têm prioridade em tudo que a sociedade faz para garantir os direitos humanos. Devem ser colocados a salvo de tudo que é violência e abuso. É como se os direitos humanos formassem um ninho para as crianças crescerem." Está lá, Ziraldo, leia de novo: "crianças e adolescentes têm prioridade". Em tudo. Principalmente em situações nas quais são desrespeitadas, como na leitura de um livro com passagens racistas, escrito por um escritor racista com finalidades racistas. Mas você não vê racismo e chama de patrulhamento do politicamente correto e censura. Você está pensando nas crianças, Ziraldo? Ou com medo de que, se a moda pega, a "censura" chegue ao seu direito de continuar brincando com o assunto? "Acho injusto fazer isso com uma figura da grandeza de Lobato", você disse em uma reportagem. E com as crianças, o público-alvo que você divide com Lobato, você acha justo? Sim, vocês dividem o mesmo público e, inclusive, alguns personagens, como uma boneca e pano e o Saci, da sua Turma do Pererê. Medo de censura, Ziraldo, talvez aos deslizes, chamemos assim, que podem ser cometidos apenas porque se acostuma a eles, a ponto de pensar que não são, de novo chamemos assim, deslizes.

A gente se acostuma, Ziraldo. Como o seu menino marrom se acostumou com as sandálias de dedo: "O menino marrom estava tão acostumado com aquelas sandálias que era capaz de jogar futebol com elas, apostar corridas, saltar obstáculos sem que as sandálias desgrudassem de seus pés. Vai ver, elas já faziam parte dele" (ZIRALDO, 1986,p. 06, em O Menino Marrom). O menino marrom, embora seja a figura simpática e esperta e bonita que você descreve, estava acostumado e fadado a ser pé-de-chinelo, em comparação ao seu amigo menino cor-de-rosa, porque "(...) um já está quase formado e o outro não estuda mais (...). Um já conseguiu um emprego, o outro foi despedido do quinto que conseguiu. Um passa seus dias lendo (...), um não lê coisa alguma, deixa tudo pra depois (...). Um pode ser diplomata ou chofer de caminhão. O outro vai ser poeta ou viver na contramão (...). Um adora um som moderno e o outro – Como é que pode? – se amarra é num pagode. (...) Um é um cara ótimo e o outro, sem qualquer duvida, é um sujeito muito bom. Um já não é mais rosado e o outro está mais marrom" (ZIRALDO, 1986, p.31). O menino marrom, ao crescer, talvez virasse marginal, fado de muito negro, como você nos mostra aqui: "(...) o menino cor-de-rosa resolveu perguntar: por que você vem todo o dia ver a velhinha atravessar a rua? E o menino marrom respondeu: Eu quero ver ela ser atropelada" (ZIRALDO, 1986, p.24), porque a própria professora tinha ensinado para ele a diferença e a (não) mistura das cores. Então ele pensou que "Ficar sozinho, às vezes, é bom: você começa a refletir, a pensar muito e consegue descobrir coisas lindas. Nessa de saber de cor e de luz (...) o menino marrom começou a entender porque é que o branco dava uma idéia de paz, de pureza e de alegria. E porque razão o preto simbolizava a angústia, a solidão, a tristeza. Ele pensava: o preto é a escuridão, o olho fechado; você não vê nada. O branco é o olho aberto, é a luz!" (ZIRALDO, 1986, p.29), e que deveria se conformar com isso e não se revoltar, não ter ódio nenhum ao ser ensinado que, daquela beleza, pureza e alegria que havia na cor branca, ele não tinha nada. O seu texto nos ensina que é assim, sem ódio, que se doma e se educa para que cada um saiba o seu lugar, com docilidade e resignação: "Meu querido amigo: Eu andava muito triste ultimamente, pois estava sentindo muito sua falta. Agora estou mais contente porque acabo de descobrir uma coisa importante: preto é, apenas, a ausência do branco" (ZIRALDO, 1986, p.30).

Olha que interessante, Ziraldo: nós que sabemos do racismo confesso de Lobato e conseguimos vê-lo em sua obra, somos acusados por você de "macaquear" (olha o termo aí) os Estados Unidos, vendo racismo em tudo. "Macaqueando" um pouco mais, será que eu poderia também acusá-lo de estar "macaqueando" Lobato, em trechos como os citados acima? Sem saber, é claro, mas como fruto da introjeção de um "processo" que ele provou que "work" com grande eficiência e ao qual podemos estar todos sujeitos, depois de sermos submetidos a ele na infância e crescermos em uma sociedade na qual não é combatido. Afinal, há quem diga que não somos racistas. Que quem vê o racismo, na maioria os negros, que o sofrem, estão apenas "macaqueando". Deveriam ficar calados e deixar dessa bobagem. Deveriam se inspirar no menino marrom e se resignarem. Como não fazem muitos meninos e meninas pretos e marrons, aqueles que são a ausência do branco, que se chateiam, que se ofendem, que sofrem preconceito nas ruas e nas escolas e ficam doídos, pensando nisso o tempo inteiro, pensando tanto nisso que perdem a vontade de ir à escola, começam a tirar notas baixas porque ficam matutando, ressentindo, a atenção guardadinha lá debaixo da dor. E como chegam à conclusão de que aquilo não vai mudar, que não vão dar em nada mesmo, que serão sempre pés-de-chinelo, saem por aí especializando-se na arte de esperar pelo atropelamento de velhinhas.

Racismo é um dos principais fatores responsáveis pela limitada participação do negro no sistema escolar, Ziraldo, porque desvia o foco, porque baixa a auto-estima, porque desvia o foco das atividades, porque a criança fica o tempo todo tendo que pensar em como não sofrer mais humilhações, e o material didático, em muitos casos, não facilita nada a vida delas. E quando alguma dessas crianças encontra um jeito de fugir a esse destino, mesmo que não tenha sido através da educação, fica insuportável e merece o linchamento público e exemplar, como o sofrido por Wilson Simonal. Como exemplo, temos a sua opinião sobre ele: "Era tolo, se achava o rei da cocada preta, coitado. E era mesmo. Era metido, insuportável". Sabe, Ziraldo, é por causa da perpetuação de estereótipos como esses que às vezes a gente nem percebe que eles estão ali, reproduzidos a partir de preconceitos adquiridos na infância, que a SEPPIR pediu que o MEC reavaliasse a adoção de Caçadas de Pedrinho. Não a censura, mas a reavaliação. Uma nota, talvez, para ser colocada junto com as outras notas que já estão lá para proteger os direitos das onças de não serem caçadas e o da ortografia, de evoluir. Já estão lá no livro essas duas notas e a SEPPIR pede mais uma apenas, para que as crianças e os adolescentes sejam "colocados a salvo de tudo que é violência e abuso", como está na cartilha que você ilustrou. Isso é um direito delas, como seres humanos. É por isso que tem gente lutando, como você também já lutou por direitos humanos e por reparação. É isso que a SEPPIR pede: reparação pelos danos causados pela escravidão e pelo racismo.

Assim você se defendeu de quem o atacou na época em que conseguiu fazer valer os seus direitos: "(…) Espero apenas que os leitores (que o criticam) não tenham sua casa invadida e, diante de seus filhos, sejam seqüestrados por componentes do exército brasileiro pelo fato de exercerem o direito de emitir sua corajosa opinião a meu respeito, eu, uma figura tão poderosa”. Ziraldo, você tem noção do que aconteceu com os, citando Lobato, "negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão", e do que acontece todos os dias com seus descendentes em um país que naturalizou e, paradoxalmente, nega o seu racismo? De quantos já morreram e ainda morrem todos os dias porque tem gente que não os leva a sério? Por causa do racismo é bem difícil que essa gente fadada a ser pé-de-chinelo a vida inteira, essas pessoas dos subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal, - porque nelas está a ausência do branco, esse povo todo representado pela mulata dócil que você faz sorrir nos braços de um dos escritores mais racistas e perversos e interesseiros que o Brasil já teve, aquele que soube como ninguém que um país (racista) também de faz de homens e livros (racistas), por causa disso tudo, Ziraldo, é que eu ia dizendo ser quase impossível para essa gente marrom, herdeira dessa gente de cor que simboliza a angústia, a solidão, a tristeza, gerar pessoas tão importantes quanto você, dignas da reparação (que nem é financeira, no caso) que o Brasil também lhes deve: respeito. Respeito que precisou ser ancorado em lei para que tivesse validade, e cuja aplicação você chama de censura.menino-lendo.jpg

Junto com outros grandes nomes da literatura infantil brasileira, como Ana Maria Machado e Ruth Rocha, você assinou uma carta que, em defesa de Lobato e contra a censura inventada pela imprensa, diz: "Suas criações têm formado, ao longo dos anos, gerações e gerações dos melhores escritores deste país que, a partir da leitura de suas obras, viram despertar sua vocação e sentiram-se destinados, cada um a seu modo, a repetir seu destino. (...) A maravilhosa obra de Monteiro Lobato faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças. Nenhum de nós, nem os mais vividos, têm conhecimento de que os livros de Lobato nos tenham tornado pessoas desagregadas, intolerantes ou racistas. Pelo contrário: com ele aprendemos a amar imensamente este país e a alimentar esperança em seu futuro. Ela inaugura, nos albores do século passado, nossa confiança nos destinos do Brasil e é um dos pilares das nossas melhores conquistas culturais e sociais." É isso. Nos livros de Lobato está o racismo do racista, que ninguém vê, que vocês acham que não é problema, que é alicerce, que é necessário à formação das nossas futuras gerações, do nosso futuro. E é exatamente isso. Alicerce de uma sociedade que traz o racismo tão arraigado em sua formação que não consegue manter a necessária distância do foco, a necessário distância para enxergá-lo. Perpetuar isso parece ser patriótico, esse racismo que "faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças." Sabe o que Lobato disse em carta ao seu amigo Poti, nos albores do século passado, em 1905? Ele chamava de patriota o brasileiro que se casasse com uma italiana ou alemã, para apurar esse povo, para acabar com essa raça degenerada que você, em sua ilustração, lhe entrega de braços abertos e sorridente. Perpetuar isso parece alimentar posições de pessoas que, mesmo não sendo ou mesmo não se achando racistas, não se percebem cometendo a atitude racista que você ilustrou tão bem: entregar essas crianças negras nos braços de quem nem queria que elas nascessem. Cada um a seu modo, a repetir seu destino. Quem é poderoso, que cobre, muito bem cobrado, seus direitos; quem não é, que sorria, entre na roda e aprenda a sambar.

Peguei-o para bode expiatório, Ziraldo? Sim, sempre tem que ter algum. E, sem ódio, espero que você não queira que eu morra por te criticar. Como faziam os racistas nos tempos em quem ainda linchavam negros. Esses abusados que não mais se calam e apelam para a lei ao serem chamados de "macaco", "carvão", "fedorento", "ladrão", "vagabundo", "coisa", "burro", e que agora querem ser tratados como gente, no concerto dos povos. Esses que, ao denunciarem e quererem se livrar do que lhes dói, tantos problemas criam aqui, nesse país do futuro. Em uma matéria do Correio Braziliense você disse que "Os americanos odeiam os negros, mas aqui nunca houve uma organização como a Ku Klux Klan. No Brasil, onde branco rico entra, preto rico também entra. Pelé nunca foi alvo de uma manifestação de ódio racial. O racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos”. Se dependesse de Monteiro Lobato, o Brasil teria tido sua Ku-Klux-Klan, Ziraldo. Leia só o que ele disse em carta ao amigo Arthur Neiva, enviada de Nova Iorque em 1928, querendo macaquear os brancos norte-americanos: "Diversos amigos me dizem: Por que não escreve suas impressões? E eu respondo: Porque é inútil e seria cair no ridículo. Escrever é aparecer no tablado de um circo muito mambembe, chamado imprensa, e exibir-se diante de uma assistência de moleques feeble-minded e despidos da menos noção de seriedade. Mulatada, em suma. País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan é país perdido para altos destinos. André Siegfred resume numa frase as duas atitudes. "Nós defendemos o front da raça branca - diz o sul - e é graças a nós que os Estados Unidos não se tornaram um segundo Brasil". Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca - mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destroem (sic) a capacidade construtiva." Fosse feita a vontade de Lobato, Ziraldo, talvez não tivéssemos a imprensa carioca, talvez não tivéssemos você. Mas temos, porque, como você também diz, "o racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos." Como, para acabar com a polêmica, você nos ilustra com o desenho para o bloco quemerdense. Olho para o rosto sorridente da mulata nos braços de Monteiro Lobato e quase posso ouvi-la dizer: "Só dói quando eu rio".

Com pesar, e em retribuição ao seu afeto,

Ana Maria Gonçalves


Negra, escritora, autora de Um defeito de cor.




Escrito por Idelber às 08:04 | link para este post | Comentários (268)