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1 de jul. de 2011

NORTE-AMERICANOS - Efeitos das DROGAS PESADAS (COCAÍNA, CRACK, OXI) .


Resposta minha a um amigo,

Sem moralismo de cunho religioso ou familiar lhe digo que pode até que segue um tempo em que o homem seja capaz de lidar com drogas quaisquer, mas enquanto ainda não conseguir lidar com si próprio e com seu semelhante, creio que seja melhor destruir quaisquer tipos de drogas, mesmo as licitas que são comercializadas em bares, farmácias, lanchonetes, etc.

Infelizmente embasada numa filosofia relativista e de direito à liberdade total ignorantemente interpretados, assistimos velozmente o afã do espírito humano cair por terra e descer esgoto a céu aberto, as conquistas do homem se esvaem facilmente entre os dedos de uma cultura de consumo exacerbado, de uma sociedade sem valores assertivos, não afirmo que os valores de nossos antepassados são os ideais, mas acredito que parte dos costumes podem ser bem aproveitados e explorados para que possamos ressignificar a nós próprios, contudo isso é algo interiorano que se dá de dentro para fora nas relações interpessoais da unidade familiar E DA PRÓPRIA UNIDADE DE SER DE CADA UM DE NÓS.

O homem e o mundo do trabalho e sua socialização cultural são de suma importância moral à consciência do ser a constituir-se – humano -, bem como é significativo ter consciência dos processos que se dão entre as demais esferas sociais, nas quais cada qual traz consigo valores e papéis sociais que possibilita e potencializa uma extensão qualitativa, moral, ética, solidária com potencial à formação psíquica e humanização do indivíduo humano.

Unidade escolar, unidade religiosa, unidade política, unidade econômica, unidade social e unidade do mundo do trabalho -, são essenciais à formação do caráter da consciência moral do sujeito, entretanto sinto uma ausência de convívios harmoniosos sensíveis à maturação humanizadora do homem dentro das demais esferas sociais, seja em função da imaturidade e ignorância por parte dos empregados, seja por parte dos empregadores.

Percebo e vislumbro que outras pessoas demandam tal sensibilidade quanto ao desequilíbrio relacional de cunho interpessoal e em muitos casos até profissional nos espaços de convívios diários aos quais as pessoas se encontram em mais tempo - empresas-. Contudo pressuponho o quão seria de suma importância que dentro dos espaços socializadores haja diálogos mais abertos, sinceros e responsáveis sobre o capital humano que colabora e constitui – o ser humano – e a partir daí, ter como valor essencial o desenvolvimento humano em todas suas dimensões, valorar o sensível é compreender que a evolução não se dá apenas por meio de bens materiais – o ter – e sim com a junção das demais dimensões que compõe o homem.

De todas as unidades apresentadas limito-me a referir apenas a unidade familiar e do mundo do trabalho, no entanto friso que na unidade religiosa concentra-se um disparate antiético e imoral que devem ser postos em xeque, uma vez que como disse muito bem nosso ilustre Paulo Freire É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.” .

Será necessária a escassez do ter absoluto para o regresso do homem ao Ser?

Cada um de nós age como um girassol, cada qual se posiciona segundo aos raios de sol, todos se encontram num quadrante solar, no entanto em separados, a individualidade da espécie humana não encontra um ponto comum como os demais seres vivos que compreendem que são partes de um ecossistema superior aos seus microssistemas, isso dificulta e destrói a oportunidade de uma reverência natural voltado ao Sagrado e a nós mesmos, não nos reverenciamos diante à existência Suprema que se encontra em cada um de nós e entre os elos que nos completam, graças ao egocentrismo e absolutismo do espírito humano que se julga superior em demasia, pelo menos isso é freado por um numero ínfimo de pessoas, graças a Deus.

Assistiremos todos nós, uns com imensurável alegria e prazer pela conquista adquirida, outros com o Espírito doído pela transgressão degenerativa que mais uma vez terá a vitória, mas esperar o quê de uma sociedade fadada às corrupções em seus mais diversos nichos sociais - igreja, política, economia, ong, partido, escola, educadores, pai, mãe, irmão, enfim o homem seja ele em separado dos grupinhos ou dentro deles -?

Abraços fraternos,

Wellington Bernardino Parreiras
30/06/2011 - 16:00

Diálogos a partir da publicação de fotografias de pessoas que usaram drogas:

Meu companheiro e irmão,

Digo companheiro por ser um dos poucos que pisam o mesmo terreno que eu; digo irmão por comungar comigo as mesmas idéias e inquietações.

Justificado o tratamento, compartilho com o irmão algumas ideias sobre as questões de mercado de consumo tentando relacionar a mídia com a violência contra o outro e contra si.

A palavra mídia é uma apropriação saxônica do latim media (os medias), cujo sentido é mediação ou mediador, ou a preparação necessária para construir uma ponte que ligue um desejo ao objeto desejado, um projeto de ação que possa conduzir a sua efetiva realização. Creio, analisando essa compreensão da mídia e fazendo uma rasa leitura de seus objetivos, que o estreitamento buscado pela mídia nas sociedades de consumo e acumulação capitalista, não leva em conta qualquer sujeito mediador.

Essa construção midiática tem como fim principal eliminar, subjetivamente, qualquer possibilidade do outro; a ligação fica direta: imagem e desejo, desejo e aquisição. Todo o resto se torna um lugar de impossibilidade, de não aceitação. O sujeito vê o objeto e imediatamente o deseja; deseja e imediatamente adquire, mesmo que isso nada acrescente em sua vida. Logo a seguir a imagem do mesmo produto, levemente modificado, é apresentada ao mesmo consumidor que, num átima, deseja e o adquire, descartando o anterior. A isso chamamos alienação.

O problema da violência contra o outro e contra si mesmo, na minha compreensão, surge nas sociedades de grande consumo pelo dilema dessa falta de sentido construída no vazio frio dos produtos que consumimos e que nunca são suficientemente mediados para que, quando conquistados, ganhem alguma significação. O vazio criado por essa incompletude e a angústica de conquistar, sem mediação alguma, todos os prazeres prometidos pela estreiteza proposta pela mídia - e aqui convoco novamente o sentido pleno dessa palavra -, além de eliminar a possibilidade de socializar com o outro os nossos desejos, nossos projetos, nossas mediações enfim, elimina qualquer obstáculo entre aquilo que desejo e o objeto desejado.

Nesse lugar dos desejos imediatos o sujeito perde o direito de opiniar sobre suas vontades, de socializar com o outro esses projetos e até mesmo suas angústias pela impossibilidade de aquisição de alguns deles. Sem esse direito e no isolamento das mediações impossíveis e inaceitáveis, o sujeito se vê só, tem medos e é capaz de matar ou se matar em nome dos desejos que a mídia plantou em sua subjetividade e que, uma vez frustrados, provoca a explosão violenta ou o completo afundamento na lama das drogas de prazeres perversos.


Enfim, é essencial compreender as armadilhas que a mídia planta nas sociedades de consumo, ler criticamente suas entrelinhas buscando entender seus mecanismos para tecer a lógica contrária. Se pregam a imediatez, busquemos as mediações, socializando com o outro nossos projetos, desejos, angústias e dilemas. É preciso, antes de tudo, reconstruir o tecido social que a mídia tão bem sabe desfazer.

Um abraço e boas férias!

Salomão


Salomão,

Honrado amigo e irmão de imensa intensidade e ideologia significativa segundo a essência dos significados muito bem apresentados por vossa pessoa, lhe sou grato pelo afeto e consideração fraterna.

De fato argumentastes muito bem, creio que por ter ciência da subjetivação do sujeito que a mídia educa de modo medíocre os indivíduos, estes que carentes e ignorantes se moldam segundo os perfis lhes impostos.

Por desconhecer os mecanismos inteligíveis e emotivos presentes na psique humana, muitos de nossos semelhantes se sujeitam maciçamente à aculturação alheia e com isso lançam mão de suas intervenções necessárias à mediação evolutiva de sua persona, não obstante mesmo que infimamente preserva em seu íntimo uma essência capaz de irromper tal superficialidade lhe cultivada, no entanto lhe será necessário sair da caverna, mas para tal condição todos nós enquanto indivíduos mais esclarecidos cabem mediar durantes os processos emancipatórios, sobretudo se nos encontramos como atores educacionais que propiciam ao outro o direito de ter acesso ao saber e conhecimento universal do ser humano.

Entre os extremos referidos por mim, ponho-me entre ambos com o intuito de mediar a tal modo que as partes se ressignificam e propõem outras diretrizes: moral, ética, ideolócio-político e afetivo para novos horizontes plausíveis à formação humana.

Um agir embasado em fundamentalismo absoluto nos distancia do equilíbrio da consciência moral, seja no âmbito religioso, político e ideológico que seja seu fundamento ditatorial.

Humildemente tenho a sensação que nos formamos e nos posicionamos apenas a partir de dois extremos, ou isto ou aquilo, o certo ou o errado, o bom ou o mal, bem como há uma relatividade absolutista sempre quando surge uma oportunidade de convite à reflexão integral do homem diante a si próprio e aos seus semelhantes em justaposição à atitude política e jurídica as quais derivam sua extensão humana formativa.

Não vejo respostas a priori senão por meio da Educação integral do sujeito crítico-reflexivo presente nas escolhas de grandes personalidades humanas, Paulo Freire, Edgar Morin, Cecília Meireles, Hannah Arent, Vigotski, Milton Santos, Henri Wallon, Bourdieu, etc..

Meu querido irmão, confesso que sonda-me instantes de descrenças, mas quando estou frente a frete com os excluídos, sinto uma energia e potencia que me retroalimenta e me traz a racionalidade sentidos e significados para continuar na grande batalha em prol da liberdade e do direito à formação humana plena.

Abraços fraternos,

Wellington Bernardino Parreiras

01/07/2011 - 11:47

17 de abr. de 2011

Realengo - Conversa Afiada - paulo Henrique Amorim

Santayana analisa a carta do suicida de Realengo

    Publicado em 08/04/2011

De que fundamentalismo se trata

O Conversa Afiada reproduz texto de Mauro Santayana, publicado no JB:

O terrorismo de Columbine


por Mauro Santayana


É difícil separar a emoção da razão, quando escrevemos sobre tragédias como a de ontem. A morte de crianças nos toca fundo: pensamos em nossos próprios filhos, em nossos próprios netos. Por mais que deles cuidemos, são indefesos em um mundo a cada dia mais inóspito.


Crianças e professores são agredidos pelos próprios colegas nas escolas. Traficantes de drogas e aliciadores esperam às suas portas a fim de perverter os adolescentes. Em 1955, baseado em livro de Evan Hunter, Richard Brooks dirigiu um filme forte sobre a brutalidade nas escolas norte-americanas, Blackboard Jungle, exibido no Brasil com o título de Sementes da Violência.


É difícil entender como um rapaz de 24 anos se arma e volta à escola onde estudara, a fim de atirar contra adolescentes. No calor dos fatos, com a irresponsabilidade comum a alguns meios de comunicação, associaram o crime ao bode expiatório de nosso tempo, o “terrorismo muçulmano”. No interesse dessa ilação, chegaram a anunciar que isso estava explícito na carta que ele deixou. Ela, no entanto, revela loucura associada não ao islamismo, mas, sim, às seitas pentecostais, de origem norte-americana, com sua visão obscurantista da fé. São seitas que alimentaram atos de loucura como o de Jim Jones, ao levar 900 de seus seguidores, a Peoples Temple, ao suicídio, na Guiana, em 18 de novembro de 1978. É o que hoje fazem pastores da Flórida, ao queimar um exemplar do livro sagrado dos muçulmanos – e provocar a reação irada de fiéis no Iraque e no Afeganistão. Segundo revelou sua irmã, a mãe adotiva de Wellington, cuja morte o transtornou, pertencia à seita das Testemunhas de Jeová, preocupada com a pureza do corpo, que o assassino menciona em sua carta. A referência à volta de Jesus e ao dogma da Ressurreição dos justos, não deixa dúvida. Ele nada tinha a ver com o Islã, apesar de suas recomendações lembrarem ritos mortuários comuns às religiões monoteistas.


A carta revela um jovem perturbado pela idéia de pureza. Aos 24 anos, o assassino diz que seu corpo “virgem” não pode ser tocado pelos impuros. Ao mesmo tempo, presumindo-se herdeiro da casa que ocupava em Sepetiba, deixa-a, em legado, para instituições que cuidem de animais abandonados. Os cães, que são a maioria dos bichos de rua no Brasil, são, para os muçulmanos, animais amaldiçoados.


É preciso rechaçar, de imediato, qualquer insinuação de fundamentalismo islamita ao ato de insanidade do rapaz. O pior é que homens públicos eminentes endossaram essa insensatez. O terrorismo de Wellington é o dos atos, já rotineiros, de assassinatos em massa nas escolas norte-americanas, a partir do episódio de Columbine em 20 de abril de 1999. Desde que os meios de comunicação e do entretenimento transformaram o homem nesse ser unidimensional, conforme Marcuse, o modelo de vida, que o cinema, as histórias em quadrinhos, a televisão e, agora, a internet, nos trazem, é o da pujante, bem armada e soberba civilização norte-americana. Ela nos prometia a realização do sonho da prosperidade, da saúde, da segurança, do conforto e da alegria, da virilidade e da beleza. Mas essa civilização é apenas pesadelo, contrato faustiano com o diabo, sócio emboscado da morte. O diabo começou a cobrar seu preço, ao levar essa civilização à loucura, no Vietnã; nas muitas intervenções armadas em terra alheia; em Oklahoma, em Columbine, em Waco, e nos demais assassinatos coletivos dos últimos anos.


Limpemos as nossas lágrimas, e reflitamos se vale a pena insistir nessa forma de vida. Se vale a pena continuar sepultando crianças, e com elas, os sentimentos de solidariedade, de humanismo, de civilidade e de justiça. As crianças que morreram ontem, ao proteger as mais fracas com seus corpos, nos disseram o que temos a fazer, para que a vida volte a ter sentido.


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